segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Black Eyed Peas faz do Recife sua casa e encanta 20 mil pessoas

Milhares de luzes, cores que pareciam infinitas e um universo irreal que apenas a tecnologia virtualizada poderia proporcionar. Cada centavo dos tão falados R$ 3 milhões que custearam o espetáculo estavam evidentes. As cerca de 20 mil pessoas que estiveram na noite deste domingo (17) no Jockey Clube de Pernambuco, para o show do quarteto norte-americano Black Eyed Peas fizeram parte de um espetáculo histórico, que marcou o Estado no que diz respeito à música internacional.

A produção do show dificultou a entrada de menores de 14 anos no local e várias pessoas ficaram detidas, do lado de fora, por não portarem documentos da criança e do responsável, mas a maior parte dos casos foram resolvidos no diálogo e não há registro de maiores problemas. Um empurra-empurra foi verificado na abertura dos portões, tanto na entrada da pista comum (dos que pagaram R$90) quanto nas áreas mais VIPs (a pista premium custou R$ 350 e a Golden, R$ 500), mas ninguém ficou ferido e a situação foi rapidamente contornada.
Para fazer parte da festa, a estudante de Cinema, Cláudia Borgonha, de 19 anos, acampou logo cedo ao lado da casa de eventos. “Cheguei aqui às 7h30. Tinha que ficar na frente para ver melhor a banda, pela qual sou louca. Como a pista comum fica longe, tinha que reservar lugar”, afirmou. A preocupação da médica Mônica Vasconcelos definitivamente não foi a distância do palco, já que garantiu lugar na Pista Premium, mas na companhia de 14 adolescentes, entre 10 e 14 anos. “Esse lugar foi mais apropriado. Não conheço muitas músicas, mas elas sabem todas”, disse. A filha, Maria Vitória Marques mostrava que a mãe não mentia. “São 30 caminhões para carregar os equipamentos do show e para montar o palco de 340 m². Além disso todos os integrantes da banda têm mais de 35 anos e o sucesso só veio depois que a Fergie entrou no grupo”, ensinava.
Além de destilar hits, que pareciam não deixar de vir, a banda do hino eletrodance I Gotta A Feeling, ‘abrasileirou‘ o espetáculo, que teve direito a puxadas de samba e funk, além de muitos ‘Racife‘s, ‘Brazil‘s, ‘Obrigado‘s e até mesmo ‘Sangue bom‘, gíria ensinada por Marcelo D2 ao colega Will.I.Am, que prometeu vir morar no Brasil em 2011. “De todos os lugares onde estive, este foi o que mais gostei. Adorei as pessoas daqui”, garantiu.
O presente aos fãs veio em cada canção, 22 ao todo, que incluiu Let´s Get Started, Shut Up, My Humps e, claro, Boom Boom Pow e o megasucesso I Gotta A Feeling. Esta última, que por sinal teve uma inserção da nada desconhecida “With or Without You”, dos irlandeses U2. Ainda deu tempo de incluir palhinhas como o clássico da MPB “Chove Chuva”. Mas a chuva, em si, acabou não sendo ‘convidada‘ e apenas assustou o público pouco antes do show, garantindo a exclusividade das atenções ao quarteto.
O público, em êxtase com a quantidade de efeitos visuais, ambiente e coreografias sincronizadas dos dançarinos, que complementavam o cenário futurista dos Peas, correspondia. Gritos ensandecidos, obediência rigorosa a cada convocação para uma cantoria amadora e até sinais de corações no alto das mãos durante a faixa Where´s The Love (Onde está o amor?). E a cada truque no palco, feições de uma surpresa boa ia se formando nos rostos dos fãs. Desde conferir os vocalistas serem catapultados no palco até a chuva de papéis picados que deu um gás extra a quem estava cansado após 140 minutos de apresentação.
Para não dizer que foi perfeito, o pouco número de banheiros químicos e a pequena confusão de nomes da cidade, que, na última música foi acidentalmente trocada por ‘Brasília‘ incomodaram, mas não chegaram a desapontar. Os claros sinais de cansaço na voz de Fergie, o grande centro das atenções da noite, foram completamente ignorados, especialmente depois de uma provocativa coreografia com os seios da loira. Para os fãs, tudo estava bem. “Foi maravilhoso, os telões de LED, tudo. Tecnologia assim, nunca vi igual”, dizia a empresária Kátia Cadena. O estudante João Marques, de 16 anos, concordava, e acrescentava apenas a beleza da norte-americana Fergie como um dos grande atrativos da noite. “Impressionante o planejamento, como tudo fazia parte de uma coisa só, que se complementava”, resumiu.
A comprovação maior da satisfação foi a festa dos ambulantes na saída do Jockey Clube, quando vendiam livremente cds e dvds falsificados e camisas em alusão à turnê The E.N.D., que está sendo encerrada no Brasil. Um deles, José Elias de Barros, comemorava “Saiu muito. Quero sair daqui sem estoque algum”. No verso das vestimentas oferecidas, a frase: “Black Eyed Peas em Recife 2010 – Eu Fui”. E para quem fez parte desse acontecimento, o sentimento era esse mesmo. Nada mais importava.


Diário de Pernambuco